segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Séries de Sucesso Vol. 1: Wonder Boy




Este é o começo de uma nova série no blog Shugames, que pretendo trazer pelo menos uma vez ao mês. Trata-se de um trabalho profundo de pesquisa, onde pretendo contar a história, tanto de lançamento como de desenvolvimento, relacionada à séries famosas ou que pelo menos fizeram algum barulho no mundo dos games. Como trata-se de um trabalho diferenciado, que envolve muita pesquisa e planejamento, torná-la semanal é complicado devido à falta de tempo para tal. É algo que precisa ser bem explicado para que não ocorram erros, apesar deles muitas vezes acontecerem, afinal, ninguém é perfeito.

Enfim, resolvi dar o pontapé inicial com uma série muito aclamada na época dos 8 e 16 bits: Wonder Boy. A série, que começou nos arcades e veio a se alastrar pelos consoles da Sega, principalmente o Master System e o Mega Drive, além de se aventurar por outros sistemas da época, tem uma história um pouco complicada, repleta de ports e que acabou gerando até outra série bastante conhecida no console rival da Sega na época, conforme vou relatar adiante! Bora então conhecer um pouco mais sobre o Garoto Maravilha e seus mundos cheios de monstros!




Westone (Escape)

A Westone foi fundada em 1986, com o nome de Escape (remetendo-se à tecla ESC do teclado). Pouco tempo depois, talvez devido ao pouco apelo que o nome tinha no mercado de games, ela mudou o nome para Westone, vindo a se tornar a Westone Bit Entertainment no ano 2000.

O nome Westone, vem da união de parte do sobrenome de seus dois fundadores, Ryuuichi Nishizawa (onde Nishi significa West) e Michishito Ishizuka (Ishi - stone). A empresa é mundialmente conhecida por ter criado o jogo Wonder Boy e todas as suas sequências, inclusive alguns ports para outros sistemas, principalmente da Sega.

Sua falência se deu no ano de 2014, dois anos atrás a esta postagem e 28 anos após a criação do seu primeiro jogo. Suas franquias ficaram, principalmente, nas mãos de acionistas da Sega.



A linha cronológica
Tecer uma linha cronológica de uma série com tantas reviravoltas devido à problemas regionais não é lá uma tarefa muito fácil sem envolver pesquisas. Além disso tudo, Wonder Boy acabou gerando incontáveis games paralelos, sejam hacks, sejam versões parecidas, sejam séries inteiras inspiradas nele. Portanto, na imagem abaixo, resolvi colocar apenas os jogos relativos à série principal, mais para informar a ordem correta dos jogos da série:






O primeiro jogo do Garoto Maravilha
Wonder Boy nasceu em 1986 nos Arcades para o mundo todo. Foi criado pela Westone, mas em parceria com a Sega, pois a mesma era responsável pela publicação do jogo e tinha seus direitos no mesmo. No Japão, inclusive, ele foi portado para o SG-1000 da gigante japonesa, onde ele recebeu o nome de Super Wonder Boy. Guardem bem essa referência japonesa ao jogo, pois ela será de suma importância para o entendimento da cronologia da série ao longo dos anos e dos sistemas onde ela foi portada. O game ainda foi portado para o Sega Master System em 1987, versão essa que ficou bastante conhecida no mundo todo.

Voltando ao jogo, este primeiro game era bem mais simples, talvez por natureza dos arcades da época. Consistia em controlar Wonder Boy por cenários livres, tendo a preocupação do jogador voltada apenas para a coleta de frutas, itens e do cuidado em não esbarrar em insetos, animais e obstáculos pelo cenário. As frutas aumentavam a barra de tempo, o que as tornam essenciais para o progresso no jogo.



O game tem uma dificuldade progressiva, sendo que, a partir da terceira fase, as coisas começam a ficar complicadas. Fases cheias de penhascos, plataformas móveis e inimigos posicionados em lugares ingratos permeiam todo o resto do jogo, deixando tudo muito mais complicado. O port para o SG-1000, no mesmo ano, foi bem inferior ao arcade por diversos motivos. O visual, obviamente, não acompanhava a versão original, mas os cortes promovidos ao jogo para caber no cartãozinho do SG-1000 foram além disso. As fases eram bem menores e inclusive em número menor, além de não haver o skate no game. A versão do Master System é talvez a mais conhecida pelo mundo inteiro, tendo um ótimo visual, som e jogabilidade bastante similares à versão arcade. Muito disso se deve ao fato do console aceitar cartuchos, uma mídia que tinha um tamanho maior, o que acabou deixando o jogo mais completo no console.



Como curiosidade, a versão do Game Gear fora do Japão, recebeu o nome de The Revenge of Drancon, um nome completamente diferente de todos os outros e que não foi mais usado daqui por diante. O por quê da escolha? Pouco se sabe sobre isso, mas talvez o fato do vilão principal ser chamado de Rei Drancon esteja relacionado com o nome do jogo. Talvez a Sega tenha resolvido que Wonder Boy não seria uma boa escolha para o nome do jogo no portátil no ocidente... Ambas as versões, tanto do Master System (e Sega Mark III) e do Game Gear, tem duas novas áreas em relação à versão do arcade, talvez para compensar as perdas gráficas e outros pormenores.

O jogo ainda recebeu outros ports para Amstrad CPC, ZX Spectrum e Commodore 64 pelas mãos da Activision, mas nenhuma delas teve muita expressão (algumas delas tinha até um bug que repetia os cenários), sendo as versões para os consoles da Sega e nos arcades, as versões mais conhecidas até hoje. Além destas versões da época, o jogo ainda foi portado para os celulares japoneses em 2004 direto pela Sega e para o console virtual do Wii em 2008.





O controverso nascimento da série Adventure Island
O contrato de imagem do Wonder Boy original era algo de difícil entendimento até para os padrões atuais. A Westone (Escape) tinha a maior parte dos direitos do jogo, como mecânica, músicas, efeitos sonoros e a maior parte dos gráficos. A Sega, talvez na hora de permitir os ports para seus consoles na época (e com isso aumentar os lucros da Westone/Escape), ficou com os direitos de personagens, nomes  e até dos chefes do jogo. Com isso, a Westone, muito provavelmente intimada pela Nintendo para produzir o game para o Famicom, resolveu o impasse procurando a Hudson para fazer o port.

Como não podiam simplesmente pegar o jogo original e colocar no NES (Famicom) pelos direitos em posse da Sega, a Hudson acabou criando tudo do zero, mas mantendo a mecânica original, com novos personagens (sai o Tom-Tom, entra o Master Higgins), nova história e até músicas novas. Assim nasceu Adventure Island, que perdurou por vários jogos, criando uma série paralela que ainda é muito lembrada e querida pela geração de jogadores daquela época. Como os direitos sobre nomes e personagens agora pertenciam à Hudson, eles puderam criar continuações para o jogo livremente.



Este é um fato bem curioso sobre a série Wonder Boy que, até entrar de cabeça no mundo do jogo, eu desconhecia. A Westone, então, ao criar Wonder Boy, através de acordos feitos, vendeu a mesma mecânica tanto para o lado da Sega, quanto da Nintendo, originando duas franquias que, em teoria, dividem a mesma jogabilidade, mas em mundos diferentes, com personagens e trilha sonoras diferentes. É algo no mínimo curioso, até porque todas essas versões foram lançadas no mesmo ano de 1986, com apenas 5 meses de diferença entre ambas! É como se a Nintendo estivesse o tempo todo de olho no que a Sega estava tramando com a Westone/Escape, interferindo logo em seguida para ter sua parte no mercado que havia aprovado nas vendas o sucesso do Wonder Boy. Mas algo iria mudar drasticamente o rumo das duas séries com a chegada do próximo jogo do Garoto Maravilha...



Wonder Boy in Monster Land: a salada de nomes começa aqui
Monster Land é o segundo jogo da série Wonder Boy que também nasceu nos arcades da época. O ano era 1987 e a Escape havia mudado seu nome em definitivo para Westone, uma junção dos sobrenomes de seus fundadores, como mencionei no início deste post. Seu criador, Ryuchi Nishizawa, era um compulsivo jogador de arcades na época e desejava criar um jogo que tivesse, além das raízes nos arcades, um toque de RPG, haja vista que jogos como Dragon Quest estavam no auge naquela época. Com isso nasceu Wonder Boy in Monster Land, sendo lançado originalmente para fliperamas e portado quase em seguida para PC-Engine (com outro nome, desta vez pela Hudson), no mesmo ano inclusive. Nesse jogo também estréia o lendário Shinichi Sakamoto como compositor na série, que perdurou até o Monster World (Wonder boy V).

A versão mais conhecida, no entanto, era a do Master System, tendo sido lançada alguns meses depois, em Janeiro de 1988, no Japão. Aliás, aqui já cabe uma curiosidade: no Japão, o jogo foi chamado de Super Wonder Boy 2: Monster World, ao invés do nome original, que levava o "land" no sobrenome. É aqui que a confusão de nomes se inicia...



Wonder Boy in Monster Land foi um divisor de águas na série: se o primeiro game era puramente arcade, com jogabilidade arcade, velocidade de arcades e até uma certa punição a lá jogos de arcade, sua "continuação" foi completamente diferente. Em partes, claro, pois a dificuldade "arcadiana" continuava a mesma. Nosso garotinho agora empunhava uma espada e tinha como missão destruir o Meka Dragon e salvar a Monster Land, não sem antes se aventurar por mais de dez fases, todas cheias de inimigos, obstáculos e...lojas. Sim, aqui podemos e devemos comprar equipamentos e destruir inimigos para ganhar moedas e avançar, quase como num RPG tradicional, mas tudo no bom e velho 2D de plataforma. O jogo era longo, difícil e foram poucos os que conseguiram ir até o final. Mesmo nos dias de hoje, tanto a versão arcade quanto seus ports, são considerados jogos difíceis pela maioria que experimentou na época.





Monster Land e seus ports e clones
A quantidade de ports, clones e versões que este jogo recebeu foi tanta que é preciso abrir um enorme parêntesis aqui para tentar explicar tudo. Além das versões comuns e oficialmente portadas, tanto para o Master System, como para outros sistemas como Amstrad CPC, ZX Spectrum entre outros, o jogo acabou criando vários outros games, algo similar ao que aconteceu com Adventure Island em relação ao Wonder Boy original. Com o nome de Saiyuki World e baseado no conto Journey to the West, a Jaleco portou o game para o Famicom em 1987, mudando praticamente tudo, mantendo apenas a mecânica de lojas e de chefes. O jogo inclusive recebeu uma sequência, Saiyuki World 2, jogo este que também recebeu uma versão americana conhecida como Whomp 'Em, isso em 1991. O primeiro game, Saiyuki World, teve uma análise publicada neste blog que pode ser conferida aqui.



Além da "sub-série" Saiyuki World, Wonder Boy in Monster Land também gerou um segundo jogo, desta vez para PC-Engine, no mesmo ano de lançamento da versão original, desta vez chamada de Bikkuriman World, baseada no anime Bikkuriman, também de 1987 pela Toei. Nesta versão não se nota muitas modificações radicais, como em Saiyuki World, vindo a ser bem mais parecido com a versão dos arcades. Mas preciso dizer que o jogo chama a atenção por rodar com extrema fluidez no PC-Engine. A terceira cria do jogo da Westone é a mais conhecida por essas bandas do Brasil: Mônica no Castelo do Dragão. Adaptação feita pela TecToy com o aval do estúdio Maurício de Souza Produções, o jogo é cultuado até hoje como um dos mais queridos do Master System e o único reconhecido pela própria Sega como clone autorizado, tanto é que a mesma história foi repetida com outro jogo da série que veremos mais adiante.



Com tudo isso explicado, é de se notar o quanto a série da Westone influenciou direta e indiretamente o mercado de games da época. Tanto Wonder Boy como todos os seus adjacentes, culminaram por criar jogos lendários, verdadeiras relíquias que sobrevivem até os dias de hoje. Graças ao advento da internet, podemos conhecer mais das profundezas dessas criações e ter alguma noção de como os contratos e licensas de jogos naquela época corriam soltos, muitas vezes beirando a ilegalidade, tamanha a profusão de títulos parecidos e/ou baseados em suas obras originais. Enfim, vamos continuar a história.



Monster Lair, um peixe fora d'água na série
E chegou a hora de falar do terceiro e mais diferente jogo da série Wonder Boy. Posso afirmar tranquilamente, que Wonder Boy III: Monster Lair, é um jogo que poderia facilmente ser qualquer outra coisa, menos Wonder Boy. Ele não tem absolutamente nada dos dois primeiros jogos (apesar que o segundo também era completamente diferente do primeiro, enfim) e adotou um estilo um pouco estranho até para os padrões da época: misturou aventura com shooter 2D, com scroll automático da tela. Tudo isso acabou gerando opiniões negativas ao redor do título, que não foi muito bem aceito devido à mudança radical de estilo. Apesar de compartilhar personagens (a princesa Puraprill, que era o player 2 no jogo, veio a reaparecer em um dos jogos da série, inclusive) e até mesmo algumas semelhanças com chefes e cenários, o jogo não caiu bem nem mesmo para aquelas várias produtoras que adoravam pegar os jogos da série e portar pra tudo quanto é sistema.



Monster Lair teve apenas dois ports, um para PC-Engine e Turbografx-16 e outro para o Mega Drive, além de relançamentos em coletâneas mais atuais. Se no jogo anterior, seu criador Ryuchi Nishizawa optou por levar a série para o âmbito dos RPGs, misturando plataforma, desta vez, o produtor optou por misturar plataforma com shooter e a coisa não saiu como ele esperava. Como jogo, ele é interessante e diferente, vale uma jogada com certeza, mas acredito que, pelo sucesso que tinha sido com Monster Land, a mudança drástica não resultou em algo sequer satisfatório. O número das vendas do jogo eu não encontrei, mas é fácil você notar que, da série toda, Monster Lair quase nunca é citado. Os motivos podem estar relacionados ao direcionamento e mudanças drásticas que seu produtor acondicionou ao título com relação aos anteriores.



A Armadilha dos Dragões e a confusão de nomes
Dragon's Trap saiu em 1989 para o Master System e em 1992 para o Game Gear, isso falando apenas dos consoles da Sega onde o jogo mais brilhou. Mas, como quase todo jogo da série, ele recebeu inúmeros ports ao longo de sua vida. O game segue fielmente a história após os acontecimentos em Monster Land, tanto é que, a parte final de Monster Land, é jogada já de início, com o jogador dentro do labirinto final e enfrentando o Meka Dragon. Após o embate, o jogador é transformado num dragão e o jogo inicia-se numa cidade comum, com diversos lugares para serem explorados.

O jogo hoje em dia é muito atrelado ao termo "metroidvania", que consiste em um jogo onde você necessita tanto de itens como de habilidades para conseguir prosseguir. Você começa em um hub (no caso, a cidade) e dela pode partir para vários locais, muitos deles, no início, ainda inacessíveis devido à algum item ou habilidade necessária. No caso de Dragon's Trap, ele mistura muito bem as habilidades e itens com armas, level design e dificuldade crescente. No game, vamos mudando nossa forma, pois a cada chefe vencido, o personagem muda para outro com novas habilidades, tornando o game dinâmico o tempo todo. Além disso, há a busca por corações que aumentam a barra de vida, poções de cura, novas armas, escudos e armaduras, além de algumas magias úteis em alguns momentos e que podem ser acumuladas. Dinheiro no game continua sendo um artigo vital, assim como no Monster Land, mas, com a decisão de level design não linear de Dragon's Trap, acumular moedas não é algo tão difícil como no jogo anterior.

Como eu disse, o jogo recebeu inúmeros ports para consoles da época, além de alguns hacks bem interessantes. Como ports, há de se destacar a versão para PC-Engine feita pela Hudson, denominada de Dragon's Curse nos EUA e de (pasmem) Adventure Island no Japão! Como Wonder Boy era de posse da Sega, tiveram que usar outro nome em território americano e Dragon's Curse acabou soando uma escolha inteligente. Agora, Adventure Island, por outro lado, denota uma total falta de criatividade, haja vista que a versão de Famicom/NES já tinha esse nome e era um jogo completamente diferente. Enfim, os mais desavisados com certeza acharam que o jogo era um port da versão de Famicom/NES, o que não tinha nada a ver...



Enfim, além desses ports, o jogo recebeu modificações aqui no Brasil. Turma da Mônica em O Resgate foi lançado por aqui em 1993 e eu tive o prazer de ter um cartucho desses original, tirado da loja, com encarte, caixinha e manual. Ahh, bons tempos. Resumidamente, o jogo muda os personagens todos, colocando personagens da Turma da Mônica numa missão para resgatar a mesma. Vale ressaltar a criatividade da TecToy em mudar os personagens e adaptar a história, haja vista que, como jogo, nada foi perdido ou profundamente modificado. Se quiserem conhecer mais sobre esta obra, neste link vocês tem o Retronado que fiz do jogo e, neste outro, o detonado que o Gebirge fez para o canal dele, com mais informações!



Dragon's Trap foi um jogo muito bem recebido na época, onde o Master System ganhou alguns prêmios como jogo do ano em alguns países. Apesar disso, toda a confusão da cronologia da série começou por aqui também, justamente por conta de versões americana e oriental. No japão, esse jogo tem o nome de Wonder Boy in Monster Land: Monster World II, o que foge completamente do nome ocidental. No Japão eles seguiram com a série "Land", acrescida apenas da inserção do sobrenome "Monster World", o qual sempre que recebia uma nova versão, era modificado (Monster World e agora Monster World II ). Cronologicamente, Dragon's Trap é o quarto game da série Wonder Boy.

Tudo isso aconteceu por um fato inusitado. Em 1989, a Westone, ao mesmo tempo em que lançava Monster Land (Monster World), já desenvolvia sua continuação, Monster World II, que é nada menos que o Dragon's Trap. Como o console de 8 bits da Sega estava praticamente morto em território japonês, ela não viu muito sentido em usar o mesmo nome no resto do mundo, afinal, todos conheciam Wonder Boy III, então, qual o sentido de lançar um "Monster World II" à essa altura do campeonato?

Foi então que optaram pelo Wonder Boy 3: Dragon's Trap no resto do mundo, dando a ilusão, talvez, que Dragon's Trap fosse um spin-off da série, até porque Wonder Boy III (o Monster Lair) era completamente diferente de tudo.

Outra teoria é que Wonder Boy 3: Dragon's Trap teria essa numeração por se tratar do terceiro título da série NO Master System. Seriam Wonder Boy, Wonder Boy in Monster Land e agora Wonder Boy 3: Dragon's Trap. Essa teoria é mais aceitável nos dias de hoje e a que faz mais sentido, apesar de bagunçar totalmente a cronologia e confundir a todos.

Para finalizar, o game está para receber um remake em 2017, para Playstation 4, Xbox One e PC, pelas mãos da Lizard Club e DotEmu, onde o visual foi completamente refeito, todo cartunizado com uma animação incrível, mas mantendo a identidade do jogo, tanto na caracterização dos personagens e level design como, principalmente, na jogabilidade. Pra quem jogou e adorou o original, vai ser um passeio para redescobrir Monster Land! Seria melhor ainda se conseguissem a licensa para fazer um hack com a Turma da Mônica, mas aí é sonhar demais...





A Terra dos Monstros
Este jogo no Japão se chama Wonder Boy V: Monster World III. Quem, na época, fora do Japão, não ficaria perdido tentando procurar o Monster World II e não o encontrando em lugar nenhum? Pois é, se em território japonês eles contam de um jeito, no resto do mundo, esse jogo é conhecido apenas como Wonder Boy in Monster World. Isso mesmo, sem numeração alguma! Só isso já bastaria para deixar japoneses perplexos, afinal, Monster World é o sobrenome do segundo jogo da série, o Monster Land... Mas, calma, isso seria novamente um motivo de confusão quando lançassem o próximo jogo da série, que veremos mais adiante...

Monster World é como se fosse um Dragon's Trap turbinado, haja vista que ele mantém o mesmo estilo consagrado naquele jogo, mas aumentado exponencialmente, principalmente no que diz respeito à tamanho. No controle de Shion, nosso guerreiro tem como missão salvar Monster World de um inimigo chamado BioMeka... à essa altura, você já deve estar habituado ao nome MEKA estar em todo canto na série, deve ter sido daí que o criador do emulador MEKA tirou o nome do programa... Enfim, diferente de Dragon's Trap, aqui não nos transformamos em novos seres, mas fazemos uso de diversas armas diferentes, armaduras, coletamos dinheiro de inimigos, de baús escondidos, fazemos uso de magias e de informações em várias cidades que entramos. Shion ainda deve encontrar corações para aumentar sua barra de vida, algo vindo direto do jogo anterior.



O game foi portado para, além do Turbo-Duo (que é o PC-Engine americano com suporte à CDs), pasmem, o Master System. A versão 8 bits ficou, como todos esperavam, bem inferior no visual e na jogabilidade. Mas talvez a pior coisa do port seja o sistema de passwords com QUARENTA CARACTERES! A versão para Turbo-Duo ficou bem interessante, mas com outro nome, obviamente: Dynastic Hero... Sim, além do nome completamente esdrúxulo, os sprites dos personagens principais foram completamente modificados também. Temos um Shion (que aqui se chama Dyna) com uma armadura estranha e chefes baseados em insetos por todo o jogo... E o mais bizarro: essa versão foi a escolhida para aparecer no Virtual Console do Wii em 2007.



Bizarrices à parte, a TecToy do Brasil também fez sua parte e adaptou o Monster World com a Turma da Mônica na Terra dos Monstros. O hack ficou bem bacana, desta vez tendo a Mônica como personagem principal ao invés da turma toda, que agora apenas aparece na história e como personagens secundários. Este hack não saiu para a versão do Master System, apenas para o Mega Drive.





A última viagem à Terra dos Monstros
Monster World IV encerra as atividades do "Garoto Maravilha". Sim, coloquei aspas aqui por um motivo nobre: neste último jogo da série, controlamos uma garotinha ao invés do personagem principal de todos os outros jogos. E o game não tem ligação nenhuma com a série Wonder Boy, até porque não tem "Wonder Boy" como primeiro nome, é somente "Monster World IV". E, se querem saber, Asha, a personagem principal, faz todo o trabalho com honras por aqui! Monster World IV fecha em 1994, com chave de ouro, mesmo não pertencendo oficialmente, a série iniciada lá atrás pela Westone, em 1986.

É um jogo que une com primor, exploração, level design e, principalmente, uma jogabilidade sólida e bem feita. Controlar Asha pelos mais variados cenários, com uma temática árabe deliciosa, é algo prazeroso e que nunca ficará datado. Tanto é que game foi relançando mais recentemente para Wii em território americano, algo até então não feito, já que o jogo ficou exclusivamente no Japão desde 1994.

E por que este jogo não faz parte do universo Wonder Boy? Não há uma resposta plausível para tal. Ele tem muitos elementos que denotam que é um autêntico jogo da série, mas, ao mesmo tempo, ele tem tantos outros que o diferenciam. Asha, por exemplo, pode equipar diferentes espadas (que mudam apenas a força da mesma, sem mudanças de sprite por aqui), escudos (idem) e ainda encontrar os 150 life drops espalhados pelo jogo para aumentar sua barra de energia. Os itens comprados não alteram o visual da personagem, como no jogo anterior acontecia com Shion, mas mudam os atributos da mesma.

Além disso, Asha faz uso de um personagem secundário crucial para resolver os puzzles e alcançar lugares novos: o Pepelogoo, uma espécie de ave que parece um "Kirby" azul e que ajuda Asha, entre outras coisas, a alcançar lugares mais altos. O game tem uma ótima duração, um bom foco na exploração por conta dos life drops escondidos e um dos visuais mais bonitos do Mega Drive. Se quiserem saber mais do jogo, eu fiz um Retronado de Bolso sobre ele aqui no blog.



Enfim, o jogo não foi portado pra nenhum canto na época, permanecendo exclusivamente do Mega Drive e no Japão desde 1994 até 2012, quando foi relançado para o Virtual Console do Wii e nas redes PSN e Xbox LIVE do PS3 e Xbox 360 respectivamente.



30 anos da série, hacks, remakes e continuações
A série acabou em 1994, com o lançamento de Monster World IV. Aliás, pode-se dizer com mais certeza que, Wonder Boy mesmo, acabou com o Monster World (Wonder Boy V no Japão), pois Monster World IV eles insistem em dizer que não tem absolutamente nada a ver com a série Wonder Boy, apesar de dividir muitas coisas. Enfim, como dito, a Westone foi à falência em 2014, mas tanto fãs como produtoras grandes estão produzindo coisas novas para comemorar os 30 anos da série que ocorrem neste ano de 2016. Além disso, alguns hacks são bem interessantes e valem uma olhada também!

• existe uma espécie de remake do Wonder Boy in Monster Land, com o título de "Wonder Boy in Monster Land: The Legendary World 2010", feita de forma independente por um fã francês denominado apenas de MIG. É um jogo bem feito, para PC, que mantém muitas coisas do original e introduz toneladas de novas fases e desafios. Se você é fã de Mônica no Castelo do Dragão ou apenas do Wonder Boy in Monster Land original, vale com certeza uma jogada!

Você pode baixar o jogo neste link aqui (não é virus).

• antes de ser anunciado oficialmente o remake do Dragon's Trap, existia um hack chamado Dragon's Curse Remake, feito por um fã, mas extremamente bem acabado, usando a versão para PC-Engine. Você pode assistir ao detonado completo dele ou baixá-lo nos links do vídeo abaixo:



• a produtora Game Atelier, dona de um portfólio de jogos mais simples, havia anunciado um jogo chamado Flying Hamster 2, continuação de outro jogo deles mesmos. O jogo estava no Kickstarter e estava próximo de conseguir atingir a meta, quando a FDG Entertainment, notando as similaridades do jogo com a série Wonder Boy, resolveu intervir e publicar o jogo para os caras da Game Atelier. A notícia acabou cancelado o Kickstarter de Flying Hamster 2, o jogo trocou de nome para Monster Boy in Cursed Kingdom, recebeu melhorias visuais, mudanças de certos personagens, a entrada do criador da série Wonder Boy no cast e o jogo recebeu data e sistemas: será lançado em 2017 para Playstation 4, Xbox One e PCs. Confira abaixo um vídeo preview do jogo:



• além do Monster Boy, como eu já havia mencionado, um remake de Dragon's Trap foi anunciado este ano, com previsão de lançamento para 2017. Saindo pelas mãos do estúdio indie Lizard Club e publicado pelo DotEmu, o jogo permanece firme nas raízess do original, mas atualizando o visual que mais parece um desenho animado de tão bem feito, além das músicas revitalizadas com instrumentos reais e, segundo os produtores, novas salas para explorar. Abaixo, um vídeo do gameplay do mesmo:



• mais recentemente, a produtora CFK está produzindo um remake do Wonder Boy original, com o nome de Wonder Boy Returns. O jogo não tem previsão de lançamento, mas está definido até o momento para Playstation 4 e PCs e é o único remake do primeiro jogo da série. Vejam um vídeo do jogo abaixo:





Finalizando
E com isso eu termino este primeiro especial sobre séries aqui no blog. O intuito com isso tudo era mostrar um pouco dos bastidores de toda essa série muito amada até os dias de hoje, suas inúmeras versões e o que esperar do futuro da mesma. Espero que tanto o Monster Boy como o Dragon's Trap Remake, façam muito sucesso e mostrem pra essa juventude bons jogos, um verdadeiro espelho da qualidade que nós jogávamos no passado.



Espero que tenham gostado e, se tudo correr bem, mês que vem tem mais!

Fontes:
• http://segaretro.org/
• http://wikipedia.org/

10 comentários:

  1. Excelente texto Cosmão. Muito complexo e bem explicado. Gostei muito de saber mais sobre esta série fantástico. Aliás, em se tratando de conteúdo retro-gamer textual, seu blog é o melhor da atualidade. Acompanho sempre. Parabéns e forte abraço!

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    1. Obrigado Luiz! Fico feliz que tenha gostado!

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  2. Cosmão, antes de tudo, eu te amo! Huahua!

    Sério. Com tanta qualidade assim você vai acabar com as poucas revistas de games retrô que ainda temos nas bancas.

    Bom, com relação a postagem, que ficou sensacional diga-se de passagem, só posso comentar que joguei apenas a versão de Mega Drive.

    Sempre achei estranho essa similaridade das franquias Adventure Island e Wonder Boy, mas nunca parei para pesquisar sobre.

    Caramba. Que cronologia mais bagunçada. Essa WestStone realmente é uma espertinha, é a Capcom dos anos 80...

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    1. Hahaha! Obrigado Jules!

      Eu achava que Wonder Boy havia se originado de Adventure Island e não o contrário.

      Obrigado pela visita!

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  3. Sensacional!!! Voltei no tempo agora!!! E estou esperançoso pelos remakes. Muito bom texto Cosmão, cai aquela lagrima no canto do olho direito... :)

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  4. Cara, tá monstruoso esse post. Muita informação detalhada. Parabéns ae pelo trabalho Cosmão.

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  5. Excelente post! Estou ansioso pra ler ele com tempo e sem sono rsrsrs

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  6. Ótimo texto, joguei nos arcades nos idos anos 80, depois joguei no NES Adventure Island e achava que o do NES era um Clone e não essa confusão de direitos, mas a titulo de curiosidade o Adventure Island tem o personagem inspirado em Toshiyuki Takahashi.

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  7. Belo post esse Cosmão não sabia que essa série do Wonder boy tinha tantos portes para ambas plataformas.Eu so´conhecia a de Master System e a do Mega Drive fiquei curioso vou dar uma conferida nesses jogos que sairão

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  8. Excelente este post Cosmão.
    Agradeço e parabenizo pelo melhor post sobre esse franquia.
    Ficou ótimo!

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